Inteligência Artificial nas empresas: ameaça ou aliada do administrador?
- Gabriela Lorrande de Miranda

- há 2 dias
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Nos últimos anos, a inteligência artificial deixou de ser apenas um conceito presente em filmes de ficção científica e passou a fazer parte da rotina das empresas, das universidades e até das conversas cotidianas. Ferramentas capazes de analisar dados, gerar relatórios e até produzir textos em segundos começaram a levantar uma pergunta que aparece cada vez mais nas discussões acadêmicas e profissionais: será que a inteligência artificial pode substituir o administrador?

A dúvida não surge por acaso, a rápida evolução das tecnologias digitais tem provocado mudanças profundas na forma como organizações tomam decisões, analisam informações e planejam estratégias. De acordo com Lopes e Gonçalves (2023), a inteligência artificial já influencia diferentes dimensões da sociedade contemporânea, especialmente nos setores que dependem de análise de dados e processos automatizados.
Mas, afinal, o que realmente está acontecendo dentro das empresas?
A inteligência artificial e a nova transformação do trabalho
Transformações tecnológicas sempre fizeram parte da história das organizações, durante a Revolução Industrial, por exemplo, novas máquinas mudaram radicalmente a forma de produção e reorganizaram o trabalho humano (NEVES; SOUSA, 2018). Hoje, muitos pesquisadores consideram que a inteligência artificial representa um novo momento dessa transformação. Sistemas baseados em IA são capazes de processar grandes volumes de informações, identificar padrões e auxiliar na tomada de decisões estratégicas.
Segundo Cunhado (2019), a inteligência artificial pode ser definida como um conjunto de tecnologias capazes de simular processos cognitivos humanos, permitindo que máquinas realizem tarefas complexas por meio de aprendizado baseado em dados. E esse avanço tecnológico tem ampliado o uso da IA em diversas áreas da gestão, a análise de dados, por exemplo, tornou-se uma das aplicações mais relevantes dentro das organizações. Como destacam Oliveira, Silva e Pereira (2022), o uso de ferramentas de inteligência artificial permite que empresas identifiquem tendências de mercado e desenvolvam estratégias mais precisas para atuação competitiva.
A IA já está dentro da gestão empresarial
Na prática, muitas empresas já utilizam inteligência artificial em processos administrativos, financeiros e estratégicos, e ferramentas digitais conseguem automatizar tarefas operacionais, analisar dados financeiros e oferecer previsões baseadas em algoritmos. Segundo a Aethos Sistemas (2024), a implementação da inteligência artificial na administração dos negócios pode contribuir significativamente para o aumento da eficiência organizacional, principalmente ao otimizar processos e facilitar a análise de informações estratégicas.
Já na área financeira, por exemplo, a presença dessas tecnologias tem se tornado cada vez mais evidente. De acordo com Costa e Almeida (2023), a inteligência artificial aplicada à gestão financeira permite maior precisão na análise de dados e fortalece a competitividade das empresas. Na mesma linha, Martins e Figueiredo (2023) apontam que a IA vem sendo utilizada como ferramenta estratégica para avaliação de investimentos, ampliando a capacidade das organizações de interpretar cenários econômicos e tomar decisões com base em informações mais complexas.
Esse cenário também acompanha um movimento global de digitalização das empresas, e no Brasil, um levantamento divulgado pela PwC mostra que o setor financeiro está entre os que mais avançam na adoção de tecnologias digitais e processos automatizados (DULCE, 2023).
Tecnologia poderosa, mas não autônoma
Mesmo com todos esses avanços, especialistas destacam que a inteligência artificial ainda depende da atuação humana para interpretar contextos e tomar decisões estratégicas. Ferramentas baseadas em IA podem processar dados com rapidez impressionante, mas isso não significa que elas substituam o julgamento humano, na realidade, o que ocorre é uma relação de complementaridade entre tecnologia e gestão.
Um exemplo dessa discussão aparece no próprio uso de sistemas de linguagem artificial, como o ChatGPT. Segundo a revista Forbes (2022), essas ferramentas são capazes de gerar textos e responder perguntas complexas, ampliando o acesso à informação e apoiando diferentes atividades profissionais. No entanto, a própria lógica de funcionamento dessas tecnologias reforça seus limites, e em diversas situações, a inteligência artificial atua como suporte informacional e não como substituta do conhecimento especializado.
Esse ponto também aparece em debates sobre o uso da IA em áreas sensíveis, em discussões recentes sobre inteligência artificial aplicada ao direito e à medicina, especialistas reforçam que essas ferramentas não substituem profissionais qualificados, mas podem ajudar usuários a compreender informações complexas. Como já foi destacado em análises sobre o tema, a IA “nunca substituiu o aconselhamento profissional, mas continuará sendo um excelente recurso para ajudar as pessoas a compreender informações” em diferentes áreas do conhecimento.
O futuro da administração em um mundo orientado por dados
Diante desse cenário, a pergunta inicial precisa ser reformulada, talvez a questão não seja se a inteligência artificial substituirá o administrador, mas como a profissão está sendo transformada pela tecnologia.
Segundo Melo (2020), o futuro do trabalho tende a ser marcado pela integração entre habilidades humanas e ferramentas tecnológicas. Nesse novo contexto, competências como pensamento crítico, capacidade analítica e tomada de decisão estratégica tornam-se ainda mais importantes.
Estudos sobre o futuro das profissões também indicam que as transformações tecnológicas não eliminam necessariamente carreiras, mas redefinem suas funções e exigem novas competências (SOUZA, 2018). Assim, o administrador do futuro provavelmente será um profissional capaz de interpretar dados complexos, utilizar tecnologias inteligentes e transformar informações em estratégias organizacionais.
Em outras palavras, a inteligência artificial pode até mudar a forma de administrar, mas tudo indica que o papel do administrador continuará sendo essencial para transformar dados em decisões e tecnologia em estratégia.
REFERÊNCIAS
AETHOS SISTEMAS. Implementação da inteligência artificial na administração do negócio. Disponível em: https://aethossistemas.com.br/blog/implementacao-da-inteligencia-artificial-na-administracao-do-negocio/. Acesso em: 5 mar. 2026.
COATE MANAGEMENT. The AI Revolution. 2023. Disponível em: https://medium.com/@GreyB/artificial-intelligence-advancements-and-trends-63daa50f72f. Acesso em: 05 mar. 2026.
COSTA, R. A.; ALMEIDA, L. M. Inteligência artificial aplicada à gestão financeira: inovação e competitividade empresarial. Revista de Administração e Negócios da Amazônia, v. 15, n. 2, p. 88–102, 2023. Disponível em: https://revistas.unama.br/index.php/RAM/article/view/6123. Acesso em: 06 mar. 2026.
CUNHADO, D. K. Inteligência Artificial. Brazilian Journal of Development, v. 4, n. 6, p. 13475–13476, 2019. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/download/16481/13475/42599. Acesso em: 06 mar. 2026.
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